Creative Commons não é o bicho papão

Como disse o Luiz Carlos Azenha em seu blog “Vi o Mundo”, numa referência a uma entrevista que fizera com o sociólogo Prof. Sérgio Amadeu (defensor do creative commonsdo software livre): “É um tema complexo, cheio de siglas e informações incompreensíveis para muita gente. O bicho assusta, mas é manso.”

Para tentar dar uma simplificada eu sempre comparo o creative commons a um semáforo. Com verde, amarelo e vermelho. Um semáforo é um símbolo universal, que,  em qualquer lugar do mundo, sinaliza para o motorista ou pedestre (criador ou consumidor) se ele pode seguir tranquilamente (VERDE), se ele pode seguir, mas com determinada cautela (AMARELO) ou se decididamente ele não pode seguir, devendo parar (VERMELHO).

A internet faz com que a gente viaje por ‘universos nunca dantes navegados’ e no que diz respeito aos bens culturais que encontramos nesse admirável mundo novo, o creative commons funciona como o semáforo:

VERDE = você pode usar aquela obra como você quiser. Mixar, copiar, colar …

AMARELO = você pode usar aquela obra com determinada restrição e observando determinados requisitos.

VERMELHO = você não pode “mexer” naquela obra. Você só pode admirá-la

Hipoteticamente falando, as siglas  (atribuição de crédito),  (uso não comercial),  (não à obras derivadas), por exemplo, afloram aos olhos do criador/consumidor de cultura e de imediato ele sabe como deve agir. Se pode seguir livremente, se deve ter cautela ao seguir ou se deve parar.

É simples assim. Não existe nenhum monstro norte-americano disfarçado de ONG
boazinha querendo acabar com a cultura popular.

O que existe é um movimento de mudança. Mudança na forma de ver o mundo. Nesse novo mundo não existem fronteiras e nem oceanos ou desertos a serem atravessados. Mesmo os desertos e os oceanos estão lotados de criatividade, de arte, de cultura, de conhecimento, de expressão. E isso impulsiona mais arte e mais conhecimento e mais cultura e mais e mais.

É a navegação fluindo num ciclo virtuoso de criação.

Por acaso (ou não tão por acaso assim, né?) o creative commons foi criado sim nos Estados Unidos da América, na Califórnia, no Vale do Silício, onde hoje em dia funcionam as maiores companhias do mundo, do top do Google. Mas, mais especificamente falando, eu te digo que a origem do creative commons, do software livre e de todo pensamento chamado de libertário, vem do núcleo do universo criativo da Universidade de Stanford, que também se situa na região, desde sempre.

Assim, entenda, creative commons e também o software livre e suas GPL´s (licença pública geral) nasceram de mentes super criativas, que queriam compartilhar o conhecimento, que nasceram já na era da internet e que entendem o mundo de uma maneira totalmente diferente de nós, que já cruzamos a barreira dos 35.

O Creative Commons, em especial, baseado na idéia do software livre, foi criado por um professor de Direito na citada universidade, e também advogado, que apesar de já ter cruzado a tal barreira dos 35 e ter nascido na era da pré-internet, tem a ótica do compartilhamento, do desentrave da circulação da arte e do conhecimento. Ao contrário de ser uma organização do Estado, eles representam a oposição ao pensamento dominante no governo, eles desafiam as leis do jeito como elas se apresentam hoje – como um verdadeiro impasse à circulação da cultura).

Para não me estender mais vou concluindo, pois o assunto é ótimo para o debate, já que sendo tudo muito novo, não há a certeza do que é certo, mas há um alerta piscante acenando para o que não é mais certo, eu realmente me decepcionei com Ana de Hollanda, que simplesmente tomou uma decisão anti-social, sem promover o debate.

por Paula Tupinambá

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